Desde a minha entrada nos "intas", com maior incidência nos últimos tempos, vejo o meu corpo como um atlas de lesões!!!
Não serei caso único, mas achei interessante trazer este assunto para discussão (sobretudo para os escaladores de 29 anos J). Estou longe de ser um escalador de alto nível, encadeamentos tenho poucos dignos de registo, mas já tenho algum histórico de boas lesões para partilhar. Poucas vezes fui visto por médicos, pelo que desconheço as especificações técnicas da maioria. Nenhuma é muito grave, mas todas chateiam! Ao longo deste lesionado percurso, fui tentando analisar as causas, perceber os efeitos, gerir o esforço e fazer alguma fisioterapia caseira. O resultado é uma colecção de lesões mal curadas que condicionam na escalada e impedem a praticar outras actividades que também aprecio.
Lesões
Dedos: as primeiras lesões foram nos dedos. Típico dedo inflamado, que não flecte completamente, que ficou entalado num bidedo ou forçou demais em regletes. Estas eram recorrentes. Por vezes impeditivas de escalar, outras toleráveis. Qdo por iniciativa própria deixava de escalar para recuperar, acabava sempre por magoá-los em tarefas quotidianas como mudar um colchão ou outra qualquer. Reforço dos tendões com adesivo e escalada moderada para frente, mais cuidado na utilização dos dedos e acabaram por passar.
Cotovelos: depois comecei a ter dores no cotovelo, ao nível das inserções dos tendões do bíceps e do antebraço. Fui variando nos dois cotovelos, na face interna e na externa (epicôndilo e epitróclio). Uma associava mais à escalada de regletes e a outra mais associada aos puxadores em paredes de grande declive! Esta dor era incómoda mas não impeditiva de escalar inicialmente, mas tinha um carácter cumulativo até se tornar insuportável. O adesivo no antebraço dá algum conforto, mas não resolvia. Algum descanso, mudar o tipo de escalada e a coisa foi-se compondo.
Joelhos: tive a primeira lesão traumática, ou seja, em vez de ser aquela dor aguda que de vai agravando com o tempo, pela primeira vez ouvi um estalo e uma dor forte. Estava a fazer um movimento de rotação do joelho, num movimento de calcanhar na saída de um teto. Curiosamente, logo depois de mim, um colega tentou o mesmo movimento e teve os mesmos sintomas. A dor era muito localizada no lado externo do joelho, por cima da cabeça do perónio. Menisco, tendões ??? nunca soube!!! Desta vez, uns 3 meses depois, fui ao médico e fiz fisioterapia. Mesmo assim, a dor não desapareceu. Nada como outra lesão para esquecer a anterior!
Ombros: aqui tb ouvi e senti um rasgão. Numa via com algum declive (Missão Cumprida) estava numa presa muito boa de esquerda a “ganhar ar” e qdo fiz um movimento simples para alcançar uma presa de direita, o ombro que estava demasiado relaxado, com mo braço em total extensão, rasgou. Fiquei com a clara sensação de ter sido na inserção do tendão, mas isto é diagnóstico empírico. Repouso, repouso, repouso, reenício moderado, aprender a proteger o ombro, nunca o relaxando totalmente qdo estamos suspensos nele com o braço em extensão e … de volta ao sétimo grau…
Dedos novamente: sub luxação do dedo médio. Numa via de regletes em Poio velho este dedo, num estalo, deve ter “dobrado” o para o lado que não é suposto. Ainda assim, pus adesivo e voltei à via para a encadear à segunda! Grande feito heróico que me custou mais uns meses de recuperação!
Ombro: aprendi a proteger este dedo especificamente com adesivo, parei uns meses e recomecei em presa grande. Estretanto voltei a estragar o ombro, mas o contrário, numa tarde fanática de bloco (só em presa boa e média) a tentar acertar um lançamento extremo… ficou uma ligeira dor no ombro. Dois dias depois, outra tarde fanática e ficou o ombro estragado.
Mão: a mais recente, uma lesão que já me tinha sido descrita várias vezes, mas que me faltava experimentar. Aquele choque que nasce nos dedos médio e anelar e se estende pela mão até aos flexores do antebraço! Normalmente acontece num movimento de bidedo em extensão. Pois esta foi a última!!!
Atribuo a este meu invejável currículo de lesões as seguintes causas:
1 - o aumento da idade e consequente degeneração das estruturas musculares e tendinosas
2 - escalar ao mesmo nível, apesar do aumento do peso corporal
3 - gostar de movimentos extremos, atléticos e tentar vias acima do nível de forma em que estou
4 - rotinas de aquecimento insuficientes
Que conselhos dou a mim mesmo e aos escaladores de 29 anos
1 - sempre que recomecem um período de escalada, façam-no de forma lenta e progressiva. Muita escalada de continuidade na fase inicial. Bastante tempo sem aumentar de grau de dificuldade. Muitos metros de escalada acessível, para criar adapatação nas estuturas tendinosas. Demorara até voltar a tentar projectos. Há tantos 5º e 6ºs graus bonitos de fazer! Vias de largos, etc.
2 – evitar voltar ao mesmo movimento onde nos lesionamos da última vez enquanto ainda houver vestígios da lesão. Esquecer esse projecto e fazer muito outros diferentes antes de voltar a atacar.
3 - não querer escalar vias muito acima do nosso nível actual. Ter calma e paciência.
4 – criar boas rotinas de aquecimento, ser disciplinado. Nunca mostra passos de vias ou blocos a frio (e de sapatilhas)
O relato não é fundamentado em literatura. É apenas o relato do que tenho vivido e sentido no meu corpo.
Tudo o que possam comentar, acrescentar ou corrigir a esta reflexão é para o interesse da comunidade!
Xiiiiiii… acabaste de abrir a caixa de Pandora! Pelo que sei há muita gente com problemas recorrentes, pelo que o alcance do queixume da malta neste tópico é imprevisível. 
Eu tenho tido vários problemas, mas que felizmente não me impedem de continuar numa prática assídua:
1. Joelhos. Embora já escale há uns anitos, acho que comecei a ter problemas nos os joelhos por causa do ski e do snowboard. Das quedas? Do esforço? Não tenho a certeza.
2. Cotovelos. Já nos cotovelos penso que as causas são várias, mas sempre derivadas de escalada assídua.
3. Pescoço. Torcicolos e dores no pescoço têm sido recorrentes nos últimos tempos, na minha opinião por várias razões. Uma delas, sem dúvida, é a PDI. Outra das razões é a falta de estiramentos, antes e depois dos treinos ou de um dia de escalada. A terceira é o mau posicionamento do corpo quando sentado, especialmente ao computador. E a última atribuo ao fantástico muro de treino em Lx, que pela grande inclinação das placas (na gíria escaladense: extraprumo, negativo e por vezes até subprumo!) obriga a um esforço extra para que os colegas de treino não se riam da nossa debilidade. Por isso, caros velhotes, na minha opinião tenham cuidado! A PDI é um facto, estirar é importante, tenham posições correctas no trabalho, e treinem no muro fora das horas de ponta 
Tenho a acrescentar uma lesão bem pior que se agrava a partir dos trintas e que normalmente passa despercebido ao próprio.
São as lesões na cabeça.
CABEÇA: Dificuldades de concentração no trabalho com tendência para escrever em Foruns e perder tempo na net a ver coscuvilhices de escalada, discussões de comadres de arnês vestido, etc. Ver o mundo como uma falésia, ir no autocarro a blocar nas pegas do tecto, imaginar as vias nos edifícios, nas pontes e em tudo o que se ergue contra o céu. Insónias provocadas por vias atravessadas de lado dentro da cabeça e a impedir o sono, pesadelos com pianos gigantes e fissurados a tocar músicas de terror e outros em que se é perseguido por um fanático ambientalista com uma motoserra amiga do ambiente.
Não subestimem estas lesões. Elas são reais...
Boas,
Felizmente não sei muito sobre lesões, mas sei umas coisinhas:
em geral, o que aprendi foi que não as devemos ignorar. quando sentimos que algo não está bem, o melhor é parar um pouco e ouvir o nosso corpo. quando se actua no início, há boas hipóteses de recuperar bem e rapidamente. quando se "deixa andar" a lesão pode tornar-se crónica (como as lesões da cabeça tão bem descritas no post acima).
Há uns quantos sites com informação muito útil sobre as lesões mais frequentes nos escaladores e exercícios para as evitar. estes são os que recomendo:
http://www.trainingforclimbing.com/new/articles.shtml
http://www.davemacleod.com/articles/climbinginjuries.html
http://climbinginjuries.com/
http://www.athlon.com.au/
este último é bastante interessante. nomeadamente defende que várias práticas instituídas na comunidade de escaladores (por exemplo, usar fita em tendões com lesões) podem na verdade ser negativas para a recuperação...
boas escaladas sem muitas lesões ;)
Mª João Cruz
Lesionados da cabeça !!! :)
Aposto que todos se endireitaram na cadeira ao ler o post do Miquelin!!!
Obrigado pelas dicas!!!
Já que estamos numa de lesões, não que tenha tido muitas:
Há uns anos andei quase um ano com uma nas costas ( do bloco claro!)
Tendinites não sei em quantos dedos
Hello Nelson ainda andas com a da perna daquele bloco? As vezes volta!
A mais cronica de todas é uma no ombro que me faz dar voltas e mais voltas na cama
O mais engraçado disto tudo é que posso estar semanas a escalar que não as sinto. Agora quando deixo de escalar um tempito parece que passou um camião por cima, por isso toca a escalar :) !!!
boas... pois é no ombro tb tenho uma q nao me deixa dormir. e ao rodar o braço para traz faz crack- crack... já estive no médico estou a espera de uma ressonancia mangetica e veremos. o curioso é q a escalar raramente me doi...
cumps,
dreamer
Escalar é remédio santo para todas as maleitas do corpo e espírito!
julgo que fazer exercicios com pesos, será o melhor dos remedios, para fortalecer zonas mais fracas.
este remédio funcionou para mim, até ver, relativamente a dores que tinha em ambos os cotovelos (interno e externo), e num ombro.
ao fim de 1 ano a fazer ginásio, não é coisa que me agrade, mas a verdade é que as dores que tinha ao nivel dos cotovelos desapareceram, não estão a 100%, mas pelo menos já não acordo com dores :)
Os links estão muito bons. Obrigado Mª João!
Flash, podes explicar melhor que trabalho fizeste no ginásio?
O prescrição do exercício teve em conta o objectivo de recuperar das lesões ou fizeste um trabalho generalista?
Trabalhaste os mesmo músculos solicitados na escalada ou o trabalho incidiu mais sobre os antagonistas?
Sou terinador e gostava de evitar nos meus atletas este meu percurso desastrado!
Não é que eu não saiba os princípios gerais dos aquecimentos e dos alongamentos, mas pelos visto, em mim não tem resultado!
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